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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Análise do disco "Nobreza"

Ok, eu sei que esse assunto já morreu. Mas fiz esta análise no meu outro Blog, "Cantoras do rádio". Fica a dica do Blog!


01 Nobreza (Djavan) – Pra abrir o disco, Luiz Brasil faz um belo solo de violão. De repente, surge a belíssima voz de Jussara Silveira entoando os versos da mais bela canção de amizade que já ouvi. O disco é aberto com chave de diamante!

02 Os passistas (Caetano Veloso) – Uma canção de Carnaval! Na versão de Caetano, há uma gravação com mais percussão e tal. Daí, ele teve que cantar com mais força. No caso de Jussara, o arranjo voz & violão a levou a cantar esta canção com mais leveza, aumentando o charme de sua interpretação.

03 Rosa Maria (Aníbal Silva e Éden Silva) – Esta canção não me chama muita atenção. É uma canção muito simples pra um disco tão sofisticado. Mas não quer dizer que eu não goste, só não morro de amores. A interpretação de Jussara e o violão de Luiz estão do jeito que a canção é: simples.

04 Cara limpa (Paulo Vanzolini) – Esta é uma canção cujo sentido pode-se entender de duas formas: uma mais séria, outra mais irreverente. Jussara optou por fazer um meio-termo. Esse meio-termo ficou ótimo: ficou a cara da canção! E vale lembrar que é uma canção masculina e Jussara foi bem atriz ao cantá-la. É uma das interpretações mais teatrais do disco.

05 Quem há de dizer (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves) – Outra canção masculina, mas, desta vez, mais delicada. Música de cabaré. Nesta canção, que já foi gravada por Joanna e Nelson Gonçalves, Jussara está impecável! É minha versão favorita desta canção!

06 Eu vou te esquecer (Beto Pellegrino e Ariston) – Na letra, vê-se uma pessoa convicta ao esquecimento. É o ponto culminante do disco: é onde Jussara canta com mais força e onde os violões de Luiz Brasil fazem os solos mais fortes. É de arrepiar! Eu acho a canção meio country, pela melodia e pela letra. Jussara já a gravara em seu primeiro disco, em 1997, mas minha versão favorita é esta: com voz & violão (formato que adoro) e com uma intérprete mais teatral.

07 O Sol enganador (Tango russo) (Jerzy Petersbursky, Iossif Alhviek e Vadim Nikitim) – Este tango russo tem uma melodia belíssima. A letra me lembra sabe o quê? “A lua me traiu”, da Banda Calypso! (Gargalhadas) A voz de Jussara encaixa muito bem em tango. Ficou muito legal!

08 Efeito samba (Zé Miguel Wisnik e Vadim Nikitim) – Depois de duas canções pesadas, uma canção mais leve. Eu, particularmente, não gosto, pois acho fraco.

09 Argila (Carlinhos Brown) – Depois de ouvirmos os violões e vocais de Luiz Brasil, chegou a hora de ouvir sua voz. Apesar dela não ser lá essas coisas, ele faz um dueto belíssimo com Jussara, que, pra variar, está impecável. A melodia é lindinha! No caso da letra, se alguém puder me explicá-la, serei eternamente grato!

10 Um sonho de Verão (Parish, Glenn Miller e Nara Leão) – Quem assistiu à novela “Alma gêmea” deve lembrar-se! Esta canção era tema da Fernanda Machado, acho. Depois de ter gravado “Desencontro” em 2002, Jussara gravou esta belíssima canção com tema parecido. A canção é belíssima mesmo! É de uma letra triste e ansiosa, mas de melodia delicada. Jussara faz as três coisas!

11 Baião de quatro toques (Zé Miguel Wisnik e Luiz Tatit) – “É uma ‘Quinta sinfonia de Beethoven’ que decantou e só ficou raiz.” Ainda bem que a letra fala, porque a canção é isso mesmo. Quando a ouvi pela primeira vez, só pensava na “Quinta sinfonia de Beethoven”. Eu, particularmente, não gosto nem de Zé Miguel nem de Luiz. O baião é legalzinho, mas não entra na minha lista de canções favoritas do disco.

12 Pombo correio (Moraes Moreira, Dodô e Osmar) – Eu adoro esta música!!! Jussara cantando Moraes é tudo! Vide DVD "Som Brasil - Moraes Moreira". A versão de Moraes tira qualquer um do chão. A versão de Jussara, pra mim, foi feita pra fulgurar a letra, uma vez que o arranjo é mais leve. Se for olhar no quesito voz e interpretação, prefiro Jussara. Mas, naqueles dias alegres e dançantes, é claro que dançarei com Moraes!

13 Ludo real (Chico Buarque e Vinicius Cantuária) – Jussara já o gravara em 1997 e, em 2008, gravou-a no DVD “Três meninas do Brasil”. A interpretação de Jussara é lindíssima nesta canção delicada, romântica. Só o trecho do “Aê, aeandaia! Aluaê, aluaeandaia!” que ficou meio sem ênfase e insosso, pra mim. Por isso, minha versão favorita é a de Jussara em 1997.

sábado, 19 de dezembro de 2009

A leveza necessária de 'Dama do Cassino'

Maria Bethânia cantou recentemente "Dama do cassino", música de Caetano Veloso, até então, inédita em sua voz.

'Dama do cassino' foi lançada por Ney Matogrosso em 1988 no álbum "Quem Não Vive Tem Medo da Morte", mas foi eternizada na voz da nossa querida Jussara Silveira em 1996 e logo após, no dvd "Três Meninas do Brasil" com grande êxito e reconhecida até hoje como a gravação definitiva desta música.

Em 2004, Gal Costa coloca sua voz nesta canção no show 'Todas as Coisas e Eu' -, gravação que ficou mais conhecida entre seus fãs, mas que ganhou o brilho e doçura, um grande registro. (que logo-logo coloco no Youtube para vcs conferirem)

Maria Bethânia a cantou recentemente no show "Amor, festa e devoção", mas infelizmente a canção não obteve o mesmo encantamento (ao meu ver) que as outras cantoras lhe deram, a leveza necessária que a canção exige, tornou um pouco carregada e não senti a segurança nata dela, pode ser por sua opção de ter a canção em mãos e a ler, mas já a vi cantando inúmeras canções desta forma e ainda assim arrebatou-me de emoção. (e pra quem não viu o show, que procurem "Balada de Gilberta", no Youtube, perfeita interpretação, desta intérprete magnífica)

À vocês deixo os vídeos desta apresentação, e assim suas próprias impressões.





Jussara interpretando esta canção no dvd "Três Meninas do Brasil"



terça-feira, 17 de novembro de 2009

'Três Meninas do Brasil' no programa 'Sem Censura'

Foto: Retirada do Blog de Leda Nagle.

Assistir ao Sem Censura é muito prazeroso. Leda Nagle consegue como poucos comandar e tirar o melhor de seus convidados, e assim foi com Jussara Silveira, Rita Ribeiro e Teresa Cristina.

Tem uma música que muito define no título a Jussara, 'Dama sofisticada', lógico que a nossa não é triste como a música de Irving Mills, Mitchel Parish e Duke Ellington. Esta tem a essência serena, alegre e doce que lhe são peculiar.

Comentou-se no programa a origem de Jussara, se ela é mineira ou baiana (rss). Eu, filha de mineiros gosto demais do estado, da música de lá. Minas Gerais abriu-me os olhos para a música brasileira foi lá que fui apresentada de corpo e alma a esta arte que hoje é indispensável em minha vida. Então, junto o útil ao agradabilíssimo, a Bahia terra de tantos poetas, de tantos compositores, de tantos intérpretes é certamente o lugar que mais quero conhecer... Saber que ela ama este lugar e que suas raízes encontram-se lá é motivo duplo de felicidade. Sortudos somos nós que temos ela vínculada por dois estados maravilhosos e totalmente musicais.

A Teresa é tão maravilhosa e ainda mostra-se tão do bem. Cada vez gosto mais dela, do seu jeito simples, do seu sorriso belo e aliado a tudo isso e mais um pouco, a sua música que é extraordinária.

Rita como sempre simpática, alegre e mostrando-se orgulhosa por toda sua brasilidade.

Adorei as apresentações das músicas. Elas acompanhadas pelo maestro Jaime Além, cantaram: 'Menina Amanhã de Manhã', 'Homem de Saia' e 'Meninas do Brasil'.

Confira abaixo um trecho do programa:

sábado, 31 de outubro de 2009

ANÁLISE SOBRE O SOM BRASIL


Ontem eu (e certamente metade dos amantes da música popular brasileira) ficamos presos a telinha, aguardando ansiosamente a merecida homenagem que o Som Brasil prestou ao grande artista Moraes Moreira.

Ele acompanhado do filho Davi iniciou o programa, com sua habitual presença de palco cantando ‘Lá vem o Brasil descendo a Ladeira’, ‘Acabou Chorare’, Pombo Correio’ e ‘Festa do Interior’.
Moraes como sempre, não se intimidou, em um programa de televisão aberta, e mostrou o grande artista que é. Criativo, alegre, inteligente, grande musicista e excepcional letrista.

É muito fácil perceber no universo de suas canções, toda sua dedicação a música brasileira de qualidade, suas musicas na minha concepção, e talvez na de muitos, marcaram gerações, e ela em meio aos sucessos mercadológicos que passam muito rapidamente, possui uma marca registrada de muito bom gosto, atemporal e impregnado de rima, e muita poesia. Quem acompanha sua carreira há de concordar comigo.

Jussara Silveira, não veio sozinha e trouxe Teresa Cristina e Rita Ribeiro para cantarem ‘Meninas do Brasil’, com ela. Meninas do Brasil é certamente uma das mais lindas canções de Moraes em parceria com outro grande nome da composição brasileira o poeta Fausto Nilo. A canção gravada por ele no álbum Bazar Brasileiro (1980), obteve grande sucesso na década de 80, sendo tocada nas rádios e alcançando repercussão popular.

Meninas do Brasil interpretada pelo trio, no entanto, fez jus a letra e elas interpretaram com beleza esta obra-prima que homenageia as mulheres brasileiras, foi certamente um dos momentos mais emocionantes do programa, o que me levou a considerar inclusive esta gravação superior a gravada em DVD no ano passado pelo trio. (Abro neste espaço as opiniões dos demais leitores sobre esta minha observação pessoal... Alguém discorda ou concorda?)

Voltando a artista, tema e foco deste blog, Jussara Silveira foi apresentada por Camila Pitanga como uma cantora de grande densidade emocional e assim de fato ela é, uma cantora extraordinária.

Na canção ‘Besta é Tu’, achei particularmente uma excelente apresentação, mas (os que não concordam que me perdoem a análise) percebi que ela ficou um pouco inibida, com certa timidez. Já Lanlan desinibiu-se por completo e arrasou com os seus instrumentos, belíssima participação, assim como de todos os músicos que acompanharam Jussara.

Pelo que soube Jussara também cantou ‘A Menina Dança’, outro clássico do artista homenageado interpretado por Baby, e há alguns anos por Marisa Monte, mas foi cortada, um fato lamentável, sobretudo para nós os fãs da artista.

Voltando as análises do programa à participação de Márcia Castro me impressionou, não a conhecia e o Som Brasil tem isso de maravilhoso, resgata anônimos ilustres, te apresenta novos talentos. e mostra o que o Brasil tem. Percebi que ela tem uma bela voz, uma ótima postura no palco, muito descontraída, ou seja, uma artista que certamente ainda ouviremos falar com entusiasmo na mídia, foi brilhante suas interpretações para: ‘Preta, Pretinha’, ‘Forró do ABC’, destaco neste momento ‘Vassourinha Elétrica’.

A Aline Muniz para mim deveria ter sido melhor. Não tirou o brilho do programa evidentemente, mas deixou a desejar, não percebi nela a alegria tão característica de Moraes, seu toque de sensualidade nas interpretações, não convenceu, também pudera interpretar músicas, imortalizadas na voz de outros nomes da MPB, é uma tarefa delicada. Suas interpretações foram: ‘Bloco do Prazer’, Palavras ao Vento’ e ‘Pão e Poesia’.

Por fim, minha análise final é de que o programa teve um saldo bastante positivo, não podemos negar que a homenagem foi bela e merecida e a altura da sensibilidade do artista em questão, a produção poderia ser mais assertiva na distribuição dos artistas e músicas, mas o que registro neste texto é a satisfação de ver profissionais da música, mostrando seu talento, e tentando não permitir que grandes artistas como o Moraes e tantos outros já homenageados não caiam no esquecimento do Mercado Fonográfico, nem do público.