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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

2000 - Maria Bethânia e suas convidadas no projeto: "Caixa Acústica"

Repertório/Set List do Show

Fonte: Folha Ilustrada - 17/08/2000

* Senhora do Vento Norte
* A Bahia te Espera
* Gita
* Meu Amor é Marinheiro
* Tocando em Frente
* Romaria
* O Ciúme
* Bela Mocidade
* Linda Flor, com Alcione
* Meu Amor, com Alcione
* Que Sejam Bem-Vindos, solo de Alcione
* Beatriz, instrumental
* Fera Ferida
* Terezinha
* Grito de Alerta
* Explode Coração
* O Lado Quente do Ser
* Bahia com H, com Jussara Silveira, Vânia Abreu e Belô Velloso
* Onde Estará o Meu Amor, com Vânia Abreu
* Mais de Mim
* Lua e Lua Branca, com Belô Velloso
* Toda Sexta-Feira, solo de Belô Velloso
* Dama do Cassino, solo de Jussara Silveira
* pot-pourri da Bahia, com Jussara Silveira, Vânia Abreu e Belô Velloso
* Lamento Sertanejo
* Viramundo
* Carcará
* Ofá
* É de Oxum
* Canto dos Caboclos do Maranhão, solo de Alcione
* O Que É o Que É

2000 - Maria Bethânia e suas convidadas no projeto: "Caixa Acústica"

O grande encontro

Fonte: A Tarde - Caderno 2 - 18/08/2000
Por Ana Paula Guedes


Momento raro na história da MPB, grandes intérpretes brasileiras reúnem-se, em Salvador, para falar da participação no projeto Caixa Acústica. Harmonia-quase-amor marca o encontro.

A entrevista coletiva realizada no último dia 16, no Sol Vitória Marina, reuniu as cantoras Maria Bethânia, Alcione, Jussara Silveira, Vânia Abreu, Belô Velloso, Noeme Bastos e Margareth Menezes, para falarem sobre a participação no projeto Caixa Acústica.

Mulheres, que começou ontem e terminará no próximo dia 21, sempre às 18h30, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Antes da entrevista, as artistas aproveitaram o raro momento de encontro para fazer o que toda mulher gosta: trocar figurinhas, colocar os assuntos em dia. A entrevista não foi formal. A maranhense Alcione reinava, entre as baianas, contando "causos" e fazendo brincadeiras com a amiga Bethânia e a imprensa. As cantoras mais jovens falaram da alegria de participar de um evento que tem como madrinha um dos grandes ícones da MPB, a eterna Maria Bethânia.

P - Como surgiu a idéia de fazer o projeto?

Bethânia - Eu fui convidada para fazer a noite de abertura, amadrinhar o projeto. E fiquei muito alegre, porque eu sempre falo que o Brasil é um país de cantoras. E a Bahia é um Estado generoso. Ela contribui muito para isso. Quando a Luísa me falou que eu poderia convidar quem eu quisesse, falei logo com Alcione. Eu gosto de cantar com ela, de estar perto da voz dela. E as meninas, a Jussara, a Belô e a Vânia, vieram logo na cabeça. Eu quero cantar com elas, com essas vozes que, hoje, já são vozes do Brasil. Acho que cada uma delas tem um estilo, uma escolha, um posicionamento.

P - Belô Veloso, como é dividir o palco com Maria Bethânia?


Belô - É a primeira vez que piso no palco com a madrinha Bethânia. Estou nervosíssima... Faremos uma homenagem à voz feminina e a ela, também (Bethânia). Não dá para expressar com palavras o que sinto. Ainda mais que tudo isso vai acontecer aqui, na Bahia.

P - Jussara, você também vai estar dividindo o palco com Bethânia, Vânia Abreu, Alcione e Belô. O que isto significa, para você?

Jussara - A primeira palavra que vem na minha cabeça é sorte. Quando fui convidada por telefone e me disseram que tinha sido convidada por Bethânia, eu disse: quem? E, agora, vendo Bethânia falar tudo isso da gente, eu fico...
Bethânia - (interrompe) Eu é que fico arrepiada vendo um ensaio dela (Jussara). Ela tem um frescor! É impressionante!


P - Saindo um pouquinho da Bahia, indo agora para o Maranhão, para você, Alcione, como é participar do projeto?

Alcione - Eu já tenho sorte há mais tempo do que ela (Jussara). A minha sorte começou há 28 anos. Eu não gosto de falar, porque nós somos da geração Pókemon (risos geral). Já vivemos muito. Arrasamos, na Marquês de Sapucaí (referindo-se a Bethânia). É muito legal participar de um projeto que se volta para ouvir mulheres. Como Bethânia falou, o Brasil é um país de cantoras. E estar dentro da Bahia, onde, praticamente, construí minha carreira... Então, eu acho que eu tinha que estar nesse projeto (brinca).
Bethânia - Fui eu quem entregou o primeiro disco de ouro dela (Alcione).

P - Bethânia também tem grande influência no seu novo trabalho, não é?

Alcione - O meu último disco foi um papo de oito ou dez anos atrás, na casa dela (Bethânia). Ela falava: "Por que você não faz um disco acústico? Você tem uma voz assim". Mas acho que demorei muito tempo para fazer. Eu fiz um disco totalmente na contramão de tudo que já fiz. Liguei para ela, antes, e disse: olha, aquela idéia que você me deu, eu vou fazer agora. Que tal você dirigir o show? Ela disse que não podia, mas me ajudou muito. Eu nunca fui uma cantora de acústica. Até porque não sou nada acústica...

P - E você, Vânia, como está sendo a experiência de estar ao lado dessas feras?

Vânia - Se me perguntassem "Vânia, o que você preparou para o show?", eu diria: "Meu coração". Ninguém pode imaginar como é ser uma cantora, observar e se emocionar com a voz, as canções do repertório dela (Bethânia)... E, um dia, recebe o convite de cantar com ela. É um encantamento. Quando ela começou a falar, aqui, de como ela observa a nossa carreira, eu, na minha modéstia, sempre acho que a minha carreira não é vista por ninguém. Eu trabalho tanto e as coisas são tão difíceis! Mas eu tenho um trabalho honesto, tão duro, que não tem a força da grana que ergue... Então, o que vale não é orgulho da Vânia Abreu de estar ao lado de Maria Bethânia e Alcione. Mas, finalmente, eu me tornei uma intérprete, que é o que mais quero. Eu toquei uma das maiores intérpretes do Brasil e ela pôde me notar.

P - Vânia, dizem que você é uma pessoa detalhista...

Vânia - Eu sou detalhista e sou exigente. Ao mesmo tempo que tenho esse jeito muito tranqüilo de lidar com a vida, sou muito exigente comigo, mais do que com qualquer outra pessoa. Eu detesto cantar mal. Se eu não cantar bem aquela música, eu não fico feliz.

P - Noeme, você, que batalha cantando nas noites de Salvador, o que significa essa oportunidade em sua carreira?

Noeme - Eu sinto o que cada uma delas falou aqui. Talvez até mais, porque é a primeira vez que vejo de perto tantas... Eu recebi o convite no trabalho, eu também sou cabeleireira, e não entendi nada. É um evento de muita coragem. É importante que este projeto continue, trazendo pessoas que, como eu, estão começando a carreira.

P - Você vai dividir o palco com uma grande intérprete, a Nana Caymmi.

Noeme - Nem me fale... (em tom assustado). Eu acho que cantar com ela vai ser difícil.
Bethânia (interrompe) - É fácil. Eu vou tentar tranqüilizá-la... Jussara (completa) - Olha... eu cantei, uma vez, com a Nana, em sua Nota é um Show, e foi muito engraçado. Eu falei para ela: nós vamos participar do mesmo show e eu queria combinar com você. E ela me disse assim: "Cante aí alguma coisa por telefone, puxe o tom". Depois, falou: - É isso mesmo. Eu já vi você cantar. A gente vai cantar nesse tom. A gente se vê lá. Vai ser no olhar -. Foi demais...
Bethânia - A Nana é uma das maiores cantoras do Brasil. Eu sempre falei isso. Dalva Oliveira e ela.
Noeme - Do jeito que vier, vai rolar (aparentando mais tranqüilidade). Para mim, vai ser uma loteria de trezentos e tantos milhões...

P - Margareth, você convidou grandes cantoras para dividir o palco, no próximo dia 20. Qual a sua expectativa sobre o projeto?

Margareth - É uma coisa grandiosa para a Bahia, para o Brasil. Acho que é a primeira vez que se reúnem tantas cantoras em prol de um projeto tão bonito. E vou falar uma palavra que Jussara falou, que é a sorte. Essa sorte de a gente pertencer a um país como o Brasil. A sorte de puder buscar vários estilos e influências. Eu tenho um respeito muito grande por Bethânia e Alcione, porque são artistas que ouvi muito na minha formação.

2000 - Maria Bethânia e suas convidadas no projeto: "Caixa Acústica"

O dom de (en) cantar

Fonte: A Tarde - Caderno 2 - 19/08/2000
Por Marilda Ferri


Maravilhoso, o show de abertura do projeto Caixa Acústica. Bethânia, madrinha do projeto e mestre-de-cerimônias da noite, recebeu, vestida de branco e descalça, suas quatro convidadas. Alcione, a primeira a ser chamada ao palco, abriu o vozeirão e arrasou, em um dueto com Bethânia. Quando a Concha parecia estar em estado de graça, abençoada pelas vozes das duas, que alternavam solos e interpretações conjuntas, entraram em cena Vânia Abreu, Jussara Silveira e Belô Velloso. O palco ficou pequeno para tanta emoção.

Foi, também, noite de muita descontração. Bethânia estava segura, tranqüila. Na parceria com Vânia Abreu, esqueceu um trecho da música, sendo rapidamente auxiliada pela jovem cantora. "Eu errei e ela me corrigiu", assumiu. A platéia vibrou. Jussara Silveira fez jus à fama de diva. Arrasou, nos duetos com a madrinha do projeto e nas músicas que cantou sozinha. Belô Velloso foi a última a ser chamada ao palco.

Quando tudo parecia já ter acontecido, com as cinco no palco, Bethânia entoou uma canção, como se estivesse reverenciando os deuses, e Alcione, respondendo ao chamado, interpretou uma canção do Maranhão, recheada de expressões indígenas. Em transe coletivo, a platéia entoou É d’Oxum. No bis, uma saudação à vida, com a bela canção de Gonzaguinha (O Que É o Que É). Demais!

2000 - Maria Bethânia e suas convidadas no projeto: "Caixa Acústica"

Maria Bethânia reúne suas afilhadas em Salvador

Folha Ilustrada - 17/08/2000
Por Marina Monzillo


Cantora baiana celebra 35 anos de carreira em parceria com novas vozes femininas

Maria Bethânia está completando 35 anos de carreira e vai comemorar onde mais gosta de estar: em um palco, na Bahia. A cantora se apresenta hoje, às 18h30, na Concha Acústica do teatro Castro Alves, em Salvador, abrindo o projeto Caixa Acústica - Mulheres, uma série de shows populares em que veteranas da MPB recebem, em parcerias inéditas, outras intérpretes em ascensão.

Em sua festa, Bethânia fez questão de escolher as convidadas: as conterrâneas Vânia Abreu, Jussara Silveira e Belô Velloso -sua sobrinha- e ainda a amiga maranhense Alcione. "Preferi chamar essas meninas baianas a colegas que já estão estabelecidas, consagradas no sul, pois podemos experimentar, brincar no palco", diz a cantora.

Bethânia determinou o repertório, as parcerias, enfim, a estrutura do show: "Em 35 anos, acabei entendendo um pouco de direção artística, afinal, fui aprendiz de diretores como Augusto Boal, José Possi Neto, Fauzi Arap. Além disso, adoro o palco, adoro emendar uma música na outra...", conta.

O show vai ter um pouco de cada período de sua carreira, iniciada em 1964, no espetáculo "Opinião", no teatro de Arena do Rio de Janeiro ao lado de Zé Keti e João do Vale. "Carcará", o clímax de sua interpretação no show-manifesto que fez o público carioca começar a cultuar a futura dama da música, está presente no repertório do show de hoje, assim como canções de compositores que ficaram marcados em sua voz, como Chico Buarque ("Terezinha"), Roberto Carlos ("Fera Ferida") e o irmão, Caetano Veloso ("O Ciúme"). Igualmente sozinha, a diva canta "O Lado Quente do Ser", de Marina Lima e Antônio Cícero, que considera a "canção-símbolo" da homenagem às mulheres.

As "afilhadas" vão despontar no momento de reverência à Bahia com "Bahia com H" e um "pot-pourri" de músicas sobre o Estado. Com Alcione, os duos serão mais constantes. Em duas músicas, elas cantarão a capela.

Bethânia é a madrinha do projeto Caixa Acústica, pois foi pioneira no apoio a apresentações mais baratas para a população de baixa renda. "Temporadas populares sempre fizeram muito mais sentido para mim." A apresentação de hoje será para 5.000 pessoas, com ingressos a R$ 10 e R$ 20.

Desde que participou da primeira edição do Caixa Acústica, em 98, Maria Bethânia se entusiasmou com uma versão dedicada às mulheres. "O Brasil é um país de cantoras", diz. "A cada ano surgem quatro, cinco ótimas intérpretes, por isso acho necessária uma vitrine para elas."

2000 - Maria Bethânia e suas convidadas no projeto: "Caixa Acústica"

Maria Bethânia e convidadas: Alcione, Jussara Silveira, Belô Velloso e Vânia Abreu

Por Vanderlei Carvalho
Salvador - 08/2000


Final da tarde de quinta-feira, 17 de agosto. Nos camarins da Concha Acústica do Teatro Castro Alves, mulheres muito especiais se tratam como que se preparando para o grande acontecimento de suas vidas. Parece mesmo ser assim: o grande acontecimento da vida de cada uma delas. Num deles, três jovens cantoras - Belô Veloso, Jussara Silveira e Vânia Abreu - se maquiam, aguardam a passadeira terminar o vestido, fazem brincadeiras e tentam disfarçar o nervosismo. Num outro, uma veterana - Alcione - dá o trato especial nos cabelos que hoje são quase muito loiros e rejeita a possibilidade de que um fotógrafo registre este momento tão íntimo.

No terceiro camarim, ninguém sabe o que ocorre, mas sabem todos que é um ritual muito especial. Quem conseguiu vê-lo antes, ornamentado em reverência ao orixá Oxum, com pétalas de rosas amarelas salpicadas e um retrato de mãe Menininha do Gantois sobre a bancada, sabia que ali estaria acontecendo naquele final de tarde algo muito especial.

Era a Rainha da Noite que vinha, pode-se assim dizer, se preparando para cumprir seu ritual mais sagrado: cantar. Maria Bethânia, como sempre faz antes de seus espetáculos, trancafia-se no camarim e mergulha em silêncio profundo. Dali a pouco, ela cumpriria dois ritos numa só oportunidade: comemoraria os seus 35 anos de carreira e endossaria a carreira das três jovens cantoras que, em seus camarins, não conseguiam esconder o nervosismo por dividir o palco com aquela em quem aprenderam a se espelhar quando decidiram que cantar seria seu ofício.

Enquanto tudo isso acontecia nos bastidores, os porões da Concha Acústica se abriam e as arquibancadas começavam a ser tomadas. Como era para acontecer um show em homenagem às vozes femininas, as mulheres que chegavam recebiam à entrada uma rosa vermelha. E foram milhares delas. Mais de cinco mil pessoas superlotaram a renovada área externa de shows do Teatro Castro Alves, em Salvador (BA).

A partir do momento em que os primeiros acordes saíram da banda base do show, a noite foi de Maria Bethânia. Ela entrou em cena como sempre faz: cantando com a alma e fazendo do palco o seu altar. As rosas vermelhas voaram das mãos do público e forraram o chão do palco em que ela pisava. Recebeu Alcione, sua primeira convidada e o encontro fez levantar a massa. Num show de generosidade chamou as meninas, uma a uma ao palco, cantou com todas elas, e sentou-se num banquinho ao lado vendo cada uma fazer sua apresentação-solo.

Na coxia Nana Caymmi, que se apresentaria na sexta-feira com Adriana Calcanhoto e a baiana Noeme Bastos, se desmanchava em lágrimas. Foram mais de duas horas de uma noite que parece acenar como um divisor de águas na música popular brasileira. Ao apresentar as novas cantoras, Bethânia chamou-as ao palco convidando o público ao ouvir as novas vozes do Brasil. E o chamado da madrinha teve um peso tão significativo que, ainda que as meninas não tivessem realmente as melhores vozes da nova geração da MPB, certamente que a multidão da Concha as teria ovacionado.

Daqui por diante, não dá para não perceber as vozes de Jussara Silveira, Vânia Abreu e Belô Veloso e concordar com Maria Bethânia quando, sabiamente, diz que o Brasil é um país de cantoras.

2000 - Maria Bethânia e suas convidadas no projeto: "Caixa Acústica"

Explode, coração!

Fonte: Folha da Bahia - 19/08/2000
Por Marcos Uzel


Maria Bethânia se emocionou. Também não era para menos. Sua fidelíssima platéia se derramou, fez coro sem cerimônia, acompanhou na palminha da mão, aplaudiu longamente, chorou e, no meio dos indefectíveis gritos de "maravilhosa" e "poderosa", só faltou colocá-la no colo. Anfitriã cordial e elegante, ela deve ter achado pouco agradecer apenas com a sua habitual - e personalíssima - frase "obrigada, senhores!". Eram mais de 22h de anteontem, os holofotes da Concha Acústica do TCA já estavam desligados e Bethânia estava indo embora quando, para surpresa geral, parou diante do portão no fundo do palco, disposta a cumprimentar e conversar de perto com os fãs que insistiram em ficar para arrancar um autógrafo. Ganharam mais.

Pouco antes, no camarim, a madrinha do show de abertura do projeto Caixa Acústica - Mulheres comemorou, feliz, o sucesso da estréia. Os bastidores estavam tão animados, que houve até serenata de Alcione exclusivamente para Fernanda Montenegro. Esse foi o desfecho de um show especial, feminino e saudavelmente bairrista - as homenagens à Bahia permearam todo o repertório.

"O Brasil é um país de cantoras", sintetizou Bethânia, dando a senha para a entrada em cena de Vânia Abreu, Jussara Silveira e da sobrinha e afilhada, Belô Velloso. E elas foram entrando nervosas, enquanto a madrinha, à sua maneira teatral, procurava deixá-las à vontade. Sentada num banquinho à esquerda do palco, de pernas cruzadas, e volta e meia arrumando os cabelos, a atenta espectadora Bethânia saudava cada solo de suas convidadas com entusiasmo.

Discreta e delicada, Vânia pôs sua suavidade vocal em sintonia com o coro do público para a canção Mais de mim. O coração deve ter disparado - e acalmado - diante de tanta cumplicidade. Na vez de Jussara Silveira, aparentemente mais tranqüila, outra calorosa recepção, desta vez para A dama do cassino, o grande hit de sua longa estrada de shows e dois discos de grande qualidade no currículo. Belô Velloso, por razões naturais, foi a que mais evidenciou o nervosismo de dividir o palco com a tia.

Empatia maior foi o encontro entre Maria Bethânia e Alcione, a primeira convidada a ser recebida no palco. Velhas amigas, a Marrom e a anfitriã do show ficaram muito à vontade para relembrar antigos encontros de estúdio, como o que rendeu a gravação de O meu amor, de Chico Buarque. "Várias coisas nos unem, mas o principal é o amor que temos pela verde-e-rosa", ressaltou Bethânia para, então, levantar a platéia no samba em homenagem à carioca Mangueira.

Mas a cidade louvada no palco foi mesmo Salvador. De Bahia com H a É D’Oxum, não faltaram hinos. Tampouco o romantismo rasgado de Maria Bethânia, que preparou um repertório sob medida com seus grandes hits. O público, claro, adorou. E cantou Grito de alerta, Explode coração, Fera ferida... Em Terezinha, a cantora não resistiu à tietagem: "muito obrigada, senhores. Vocês cantaram lindo". E lindo também foi o duo com Vânia em Onde estará o meu amor, o solo para Carcará e, claro, o final com muitos abraços no palco e os versos de O que é, síntese de uma noite inteiramente pontuada pelo viés da emoção, com todos os seus inevitáveis e deliciosos exageros.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

2000 - Maria Bethânia e suas convidadas no projeto: "Caixa Acústica"

Maria Bethânia e suas convidadas: Jussara Silveira, Alcione, Belô Velloso e Vânia Abreu

 
Maria Bethânia aplaudindo Jussara 

 
Maria Bethânia, Belô Velloso e Jussara

Maria Bethânia, Belô Velloso e Jussara Silveira

Bethânia, Belô, Jussara e Vânia Abreu

Bethânia, Belô, Vânia, Jussara e Alcione

2000 - Maria Bethânia e suas convidadas no projeto: "Caixa Acústica"

Concha de emoções

A Tarde - Caderno 2 (19 de agosto de 2000)
Por  Ana Paula Guedes


Noite inesquecível, para quem assistiu ao show de Maria Bethânia e convidadas - Alcione, Jussara Silveira, Belô Velloso e Vânia Abreu -, quinta última, na Concha.

Encontro de gerações, no palco e na platéia da Concha Acústica, última quinta - dia da abertura do projeto Caixa Acústica - Mulheres. As veteranas Maria Bethânia e Alcione dividiram os refletores com a nova geração de intérpretes baianas: Vânia Abreu, Belô Velloso e Jussara Silveira. Do outro lado, o público, dando um show de diversidade: avôs, pais, filhos, pessoas de todas as idades e raças.

Bethânia abriu a noite. Vestida de branco e descalça, claro. Estava segura de onde pisava - a Bahia é sua casa. O público retribuiu, aplaudindo e balançando o chão da Concha, sim! Madrinha oficial do projeto, interpretou, antes de chamar a primeira convidada, canções que fizeram grande sucesso em sua voz, como Tocando Em Frente, de Almir Sater e Renato Teixeira.

Depois de aquecer o público com sua emoção, Bethânia chamou ao palco a amiga de longas datas, Alcione, a "Marrom". A baiana e a maranhense deram um show de interpretação e potencial vocal, cantando juntas músicas que embalaram os corações apaixonados de várias gerações, como O Meu Amor, de Chico Buarque. Depois do primeiro dueto, Bethânia sentou-se num banquinho, estrategicamente colocado ao lado do palco, e integrou-se à platéia, assistindo e aplaudindo suas (felizardas) escolhidas. Melhor anfitriã, impossível.

A voz de Alcione tomou conta da Concha Acústica. Com voz e violão, relembrou grandes sucessos da carreira. O momento intimista do show foi interrompido para dar lugar, outra vez, às amigas, que levantaram o público com o hino da escola de samba carioca Mangueira. Acalmando um pouco a euforia dos espectadores, as cantoras deixaram o palco e a orquestra fez uma rápida exibição.

Quando Bethânia retornou, a platéia levantou-se, gritando palavras doces para a musa, cercada de rosas vermelhas, distribuídas pela produção e jogadas pelo público no palco. Isso é Bahia. A cantora retribuiu o carinho, fazendo o que mais sabe: cantar e encantar. Mais um solo de Beta. Explode, Coração!
"Quero aplaudir, com vocês, as novas e luminosas vozes do Brasil: Vânia Abreu, Jussara Silveira e Belô Velloso", anunciou, com orgulho.

Se o público estava emocionado, as cantoras baianas da nova safra da MPB, então... Vânia, Jussara e Belô acompanharam a "dinda", com extrema harmonia, e, juntas, fizeram uma bela homenagem à Bahia. Após a performance coletiva, Bethânia e Vânia atacaram de Onde Estará o Meu Amor (Chico César). Beta deixa Vânia. A voz doce da jovem baiana é acompanhada por um coro formado por quase quatro mil vozes, atestando a popularidade na terrinha.

Belô Velloso substitui Vânia. Pela primeira vez, a jovem canta com a tia, para o grande público. Seu solo revela um estilo sóbrio. Sai de cena, entra Jussara Silveira. Bethânia e platéia parecem hipnotizadas pela leveza e singularidade de sua interpretação.

A noite foi esquentando, esquentando... De volta ao palco, as três "afilhadas" arriscaram, com Bethânia, sambinhas célebres em homenagem à Bahia, como Falsa Baiana, de Geraldo Pereira. Até a anfitriã "rodou a baiana" e mostrou às mais jovens que, além de uma voz poderosa, tem muito samba no pé! No final, o clímax: as cinco reuniram-se no palco, interpretando canções que falam da cultura da Terra de Todos os Santos (É d’Oxum, de Gerônimo, entre elas). Teve bis: o hino de esperança e otimismo composto por Gonzaquinha, O Que é, o Que é, arrebata a platéia.

De parabéns, a Organizado pela Conexão Marketing e Comunicação (leia-se Maria Luísa Jucá) e a Caixa Econômica Federal. O Concha Acústica - Mulheres é um grande projeto.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

2000 - Maria Bethânia e suas convidadas no projeto: "Caixa Acústica"

Caixa Acústica - Mulheres: Clube da Luluzinha

A Tarde - Caderno 2 (16 de agosto de 2000)
Por Kátia Borges


Projeto inédito na Bahia reúne, de amanhã a segunda próxima, cantoras como Maria Bethânia, Nana Caymmi, Cássia Eller e Adriana Calcanhotto, na Concha. E, o melhor: a preços populares. Amanhã, às 18h30, na Concha Acústica do TCA, a cantora baiana recebe suas convidadas: Alcione, Belô Velloso (sobrinha de Bethânia), Vânia Abreu e Jussara Silveira.

Até a próxima segunda-feira, serão apresentações diárias, no mesmo local e horário, com atrações como Nana Caymmi e Simone, Daúde, Cássia Eller e Sandra de Sá, Noeme Bastos, Belô e a banda Penélope.

Maria Bethânia dispensa refletores. E é a sua presença, abrindo o projeto Caixa Acústica - Mulheres, que joga luz sobre o valor e a importância da proposta, bancada pela Conexão Marketing Cultural, com apoio da Caixa Econômica Federal (daí o nome do projeto). Amanhã, às 18h30, na Concha Acústica do TCA, a cantora baiana recebe suas convidadas: Alcione, Belô Velloso (sobrinha de Bethânia), Vânia Abreu e Jussara Silveira. A Marrom, entusiasmada, adianta que preparou, pelo menos, uma canção para cantar ao lado da amiga.

Até a próxima segunda-feira, serão apresentações diárias, no mesmo local e horário, com atrações como Nana Caymmi e Simone (que, raramente, fazem show na Bahia), Daúde, Cássia Eller e Sandra de Sá, dentre outras menos famosas, mas não menos talentosas, como Noeme Bastos (revelação da noite baiana e indicada ao Troféu Caymmi deste ano), Belô e a banda Penélope (que já está pra lá do mainstream, com música em trilha de novela e indicações para o VMB da MTV).

Além dos encontros, que podem render belos duetos inusitados, o público baiano vai poder conferir as performances individuais de cada uma das cantoras e, o que é mais interessante, com preços menores do que os cobrados normalmente em shows do gênero (R$ 20,00 e R$ 10,00). Do total arrecadado com os espetáculos, 15% terão destinação social.

Maria Bethânia se interessou de imediato pelo projeto, sendo a primeira artista a assinar contrato com a empresa promotora e transformando-se em uma espécie de madrinha do Caixa Acústica. Vale dizer que esses shows já foram apresentados, este ano, no Sesc-Pompéia (SP), com um público estimado em mais de 17 mil pessoas. Novas edições estão previstas para o Rio de Janeiro e (bisando) São Paulo. No fechamento da edição baiana, As Meninas fazem um show especialíssimo, com 80% dos ingressos, que corresponde a 3.800 lugares, destinados aos orfanatos da cidade.

Serviço

O quê: Projeto musical
Título: Caixa Acústica Mulheres
Onde: Concha Acústica do TCA
Quando: De amanhã a segunda, às 18h30
Ingressos: R$ 20,00 (inteira)
Programação
Quinta - Maria Bethânia convida Alcione, Vânia Abreu, Jussara Silveira e Belô Velloso.
Sexta - Nana Caymmi convida Adriana Calcanhotto e Noeme Bastos
Sábado - Simone convida Penélope
Domingo - Margareth convida Daúde, Cássia Eller e Sandra Sá
Segunda - As Meninas
Obs.: Os shows começam às 18h30

2000 - Maria Bethânia e suas convidadas no projeto: "Caixa Acústica"

Baianas são anfitriãs em shows inéditos

Folha Ilustrada (17 de agosto de 2000)
Por MARINA MONZILLO


Apresentações de hoje até segunda, em Salvador, reúnem variadas vozes de cantoras da música popular brasileira

Além de Maria Bethânia e de suas afilhadas, o Caixa Acústica - Mulheres juntará Nana Caymmi, Adriana Calcanhotto e Noeme Bastos, amanhã; Simone e a banda Penélope, no sábado; Margareth Menezes, Daúde, Cássia Eller e Sandra de Sá, no domingo.

Na segunda, o encerramento ficará por conta do xibom bombom da banda As Meninas. Dessa apresentação, 80% dos ingressos serão distribuídos em orfanatos de Salvador. Todos os shows vão acontecer na Concha Acústica do teatro Castro Alves, às 18h30. As baianas Maria Bethânia, Nana Caymmi, Simone e Margareth Menezes serão as anfitriãs de cada noite.

A ausência de Gal Costa, indiscutível estrela baiana, é notável entre as vozes que vão ressoar no Caixa Acústica - Mulheres. Segundo a organizadora do projeto, Maria Luísa Jucá, as apresentações se repetirão no Rio de Janeiro, no teatro João Caetano, em novembro. São Paulo e Brasília também devem receber as cantoras durante o próximo verão.

Esta é a segunda edição do evento, patrocinado pela Caixa Econômica Federal. Em 98, artistas como Ed Motta, João Bosco, Zélia Duncan e Elba Ramalho fizeram apresentações tanto no Rio como em São Paulo, com ingressos a preços considerados mais em conta para o público em geral.

Bethânia foi uma das convidadas, abrindo a primeira noite no Sesc Pompéia.

"Ela é a madrinha do projeto desde aquela ocasião, pois foi a primeira artista que se envolveu nele, abrindo frente para os outros participarem", conta Maria Luísa, que, além de estar organizando o evento, é empresária da cantora.

Maria Bethânia conta que só conseguiu fazer sua primeira temporada nessas circunstâncias em 97: "Foi com o show "Imitação da Vida", que ficou em cartaz por um mês no teatro Carlos Gomes, no Rio".

Além de pretender atrair a grande população para os shows, o projeto terá um caráter beneficente: 15% da renda líquida da bilheteria serão doados para instituições da Bahia.